
Denomina-se energia eólica a energia cinética contida nas massas de ar em movimento (vento). Seu aproveitamento ocorre por meio da
conversão da energia cinética de translação em energia cinética de rotação, com o emprego de turbinas eólicas, também denominadas
aerogeradores, para a geração de eletricidade, ou cataventos (e moinhos), para trabalhos mecânicos como bombeamento d’água.
Assim como a energia hidráulica, a energia eólica é utilizada há milhares de anos com as mesmas finalidades, a saber: bombea-
mento de água, moagem de grãos e outras aplicações que envolvem energia mecânica. Para a geração de eletricidade, as pri-
meiras tentativas surgiram no final do século XIX, mas somente um século depois, com a crise internacional do petróleo (década
de 1970), é que houve interesse e investimentos suficientes para viabilizar o desenvolvimento e aplicação de equipamentos em
escala comercial.
A primeira turbina eólica comercial ligada à rede elétrica pública foi instalada em 1976, na Dinamarca. Atualmente, existem mais
de 30 mil turbinas eólicas em operação no mundo. Em 1991, a Associação Européia de Energia Eólica estabeleceu como metas a
instalação de 4.000 MW de energia eólica na Europa até o ano 2000 e 11.500 MW até o ano 2005. Essas e outras metas estão
sendo cumpridas muito antes do esperado (4.000 MW em 1996, 11.500 MW em 2001). As metas atuais são de 40.000 MW na
Europa até 2010. Nos Estados Unidos, o parque eólico existente é da ordem de 4.600 MW instalados e com um crescimento anual
em torno de 10%. Estima-se que em 2020 o mundo terá 12% da energia gerada pelo vento, com uma capacidade instalada de
mais de 1.200GW (WINDPOWER; EWEA; GREENPEACE, 2003; WIND FORCE, 2003).
Recentes desenvolvimentos tecnológicos (sistemas avançados de transmissão, melhor aerodinâmica, estratégias de controle e operação das
turbinas etc.) têm reduzido custos e melhorado o desempenho e a confiabilidade dos equipamentos. O custo dos equipamentos, que era
um dos principais entraves ao aproveitamento comercial da energia eólica, reduziu-se significativamente nas últimas duas décadas. Proje-
tos eólicos em 2002, utilizando modernas turbinas eólicas em condições favoráveis, apresentaram custos na ordem de 820/kW instala-
do e produção de energia a 4 cents/kWh (EWEA; GREENPEACE, 2003).
6.2.DISPONIBILIDADE DE RECURSOS
A avaliação do potencial eólico de uma região requer trabalhos sistemá-
ticos de coleta e análise de dados sobre a velocidade e o regime de ven-
tos. Geralmente, uma avaliação rigorosa requer levantamentos
específicos, mas dados coletados em aeroportos, estações meteorológi-
cas e outras aplicações similares podem fornecer uma primeira estimati-
va do potencial bruto ou teórico de aproveitamento da energia eólica.
Para que a energia eólica seja considerada tecnicamente aproveitável, é
necessário que sua densidade seja maior ou igual a 500 W/m2
, a uma
altura de 50 m, o que requer uma velocidade mínima do vento de 7 a
8 m/s (GRUBB; MEYER, 1993). Segundo a Organização Mundial de Me-
teorologia, em apenas 13% da superfície terrestre o vento apresenta
velocidade média igual ou superior a 7 m/s, a uma altura de 50 m. Essa
proporção varia muito entre regiões e continentes, chegando a 32% na
Europa Ocidental, como indicado na Tabela 6.1.
Mesmo assim, estima-se que o potencial eólico bruto mundial seja da or-
dem de 500.000 TWh por ano. Devido, porém, a restrições socioambien-
tais
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, apenas 53.000 TWh (cerca de 10%) são considerados tecnicamente
aproveitáveis (Tabela 6.2). Ainda assim, esse potencial líquido corresponde
a cerca de quatro vezes o consumo mundial de eletricidade.
No Brasil, os primeiros anemógrafos computadorizados e sensores espe-
ciais para energia eólica foram instalados no Ceará e em Fernando de
Noronha (PE), no início dos anos 1990. Os resultados dessas medições
possibilitaram a determinação do potencial eólico local e a instalação das
primeiras turbinas eólicas do Brasil.
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